Depois de ler um pouco da luta que foi para Meireles passar para as telonas, fui atrás de descobrir como ficou, já que estréia do filme ainda não ocorreu no Brasil. Uma rápida passada no Google e uma nota interessante: Saramago gostou de Blindness (nome da película em inglês). A notícia completa está no blog de Luiz Carlos Merten, do Estadão.
Abaixo vai uma descrição sucinta que o jornalista recebeu do próprio Meireles detalhando a reação de Saramago:
“O resumo da história é que apesar de ter feito uma projeção muito escura e com um som ruim, ao acabar a sessão o Saramago estava muito emocionado e nós dois ficamos nos esforçando para não chorarmos juntos. Ele enxugou uma lágrima e eu num impulso beijei-lhe a testa. Foi muito emocionante. Com a voz embargada ele me disse que ao acabar de assistir ao filme se sentia tão feliz quanto no dia em que terminou de escrever Ensaio Sobre a Cegueira.
Não precisava ouvir mais nada mas perguntei sua opinião sobre alguns cortes que eu quero fazer na locução. Ele me pediu para não mexer em nada. Disse que o filme está muito preciso, nada falta e não existem excessos ou pompa. Ele gostou da economia do filme, especialmente na cena final. Simples, sem tentar criar momentos espetaculares ou recursos para acentuar a emoção.”
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Sem atualizações recentes mas com muito conteúdo. Se você nunca entrou no blog que Fernando Meireles criou para a adaptação de Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago, vale à pena devorar tudo que já foi postado, mesmo que esteja velho.
Segundo o próprio Meireles, nenhum texto mais foi publicado porque publicações passaram a policiar as opiniões do brasileiro e dar importância exagerada às opiniões do autor. Destaque para o bom humor com que o diretor de Cidade de Deus ouve críticas à película recém-lançada em Cannes, falada em inglês:
Para completar a noite desastrosa no focus group, uma mulher, que havia avaliado o filme como “pobre”, fazia questão de participar ativamente do debate levantando todo tipo de problema que passava pela sua cabeça perversa e despenteada. Se o braço da minha poltrona fosse removível provavelmente teria tentado acertar aquele cucuruto grisalho de onde saía sua voz irritante:
“The sexual violence is totally gratuitous in the film”, dizia.
“Fecha essa matraca e vá pentear esse cabelo minha senhora!”, eu replicava mentalmente. “E aproveita e bota uma tintura também!”
*Prova disso: notícia de jornal canadense comenta post do blog de Meireles.
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